quarta-feira, 11 de maio de 2016

Programa de inclusão social transforma metodologia de ensino no campo

Senar capacita técnicos para oferecer cursos a pessoas com deficiência, nas áreas de Profissionalização Rural e de Promoção Social



Dentro da política de inclusão social das pessoas com deficiência, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Pernambuco (Senar/PE) promoveu a capacitação dos instrutores que trabalham nos cursos de Profissionalização Rural e de Promoção Social. A ação faz parte do Programa Apoena, implantado pela Administração Central do Senar.

Pernambuco conta com 120 instrutores ligados ao Senar. Com uma carga horária de 24 horas, os profissionais tiveram aulas baseadas na premissa da Acessibilidade Atitudinal. A iniciativa aborda as especificidades das deficiências física, auditiva, visual, intelectual e psicossocial, além das altas habilidades. Atualmente, o Senar/PE atende 1.700 alunos/mês.

“Nosso foco é trabalhar com os agentes, sejam eles instrutores, mobilizadores ou supervisores. A ideia é que toda equipe técnica da instituição tenha uma mudança de comportamento, para que eles se adaptem a novas formas de ensino e identifiquem nos alunos o que os torna habilitados para o desempenho de uma profissão”, explicou a psicóloga Renata Rubira. Ela é instrutora do Senar Brasil e facilitadora nos treinamentos.

Segundo a psicóloga, o Apoena existe para que os profissionais do Senar não foquem na limitação que determinado estudante tem, e sim, nas demais potencialidades que devem ser aproveitadas. Atrelado a isso, o programa aborda os comportamentos inclusivos, terminologias da educação inclusiva, legislação e especificidades de cada deficiência.

Além disso, nos cursos executados pela entidade, os alunos contam com orientações preventivas, a fim de evitar os acidentes de trabalho. É o caso do curso de Mecanização Agrícola. “Preparamos os estudantes para que, quando ingresse em um emprego, como o de tratorista, por exemplo, que ele desenvolva seu trabalho da forma mais correta possível, evitando acidentes”, explicou Renata.

Outro destaque do programa é instruir os agentes de educação quanto a prevenção das doenças ocasionadas pelo Aedes Aegypti. Nas próximas capacitações, os alunos vão contar com informações sobre como evitar a proliferação e, consequentemente, as doenças causadas pelo inseto. “A gente sabe que, com esse surto de Zika, onde Pernambuco registra o maior número de casos, nós teremos uma geração de pessoas com deficiência no meio rural”, observou a facilitadora.

De acordo com Renata Rubira, o grande desafio dos instrutores é transmitir o conhecimento, com eficiência e naturalidade, independente das limitações. “No passado, grande parte da população não teve o contato aprofundado com pessoas deficientes porque elas viviam segregadas da sociedade, que as rotulava como incapazes. Felizmente, essa situação vem sendo revertida, porém nosso país ainda é carente de uma estrutura inclusiva e o Apoena vem para mudar essa perspectiva”, destacou a psicóloga.

O instrutor do Senar/PE e participante do treinamento, Clildo Aldeman ressalta que o treinamento o preparou para oferecer uma melhor assistência aos alunos especiais “Agora me sinto seguro e apto a ensinar, aproveitando os potenciais de cada aluno”, declarou. A capacitação dos técnicos aconteceu em Bezerros, durante toda a semana.

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